BOAS FESTAS, FELIZ ANO NOVO
Caros leitore e amigos, O Boteco entra em justas e merecidas férias até dia 15 de janeiro, quando retornaremos com as publicações normalmente. Abaixo, o mapa mostrando por onde andamos, e as palavras de nossos autores. Boas Festas, Feliz Ano Novo. 
O Boteco está em quase todos os continentes: faltam a Antártida e a Oceania... (Histats.com, 08/12/09, 08:00h).
Da redação.
É um prazer enorme escrever aqui no Boteco de todos nós. Apesar de ter começado de pura tristeza pela partida de Mercedes Sosa, fui conhecendo essa gente boa que aqui escreve e lê . Reencontrar pessoas que não vejo há anos e décadas encheu meu coração de alegria. E é a alegria do encontro que desejo repartir com todos. Principalmente com você, leitor amigo, que tece essa rede de prosa e verso dos botecos cósmicos da net. Abraço carinhoso de Festas!
Aracéli.
Neste Natal deixe que seu sentimento dê a nota da festa. Não se esconda atrás de convenções. Mostre às pessoas quanto as ama e as quer bem. Abra bem os olhos e observe a Natureza – tudo nela se harmoniza: as árvores mais altas protegem pequenos arbustos e plantas rasteiras... o pássaro mais belo nem sempre sabe cantar e o mais pequenino e inexpressivo tem a maior sonoridade do reino animal, elevando a sensibilidade de quem o escuta. Isto prova que ninguém é melhor que ninguém. Todos temos o mesmo valor... As flores se abrem e se expõem ao sol, à chuva, ao sereno, ao beijo das abelhas, dos beija-flores. Dão-nos uma lição de vida: estão aqui para servir. Cada uma tem cor e tonalidades diferentes para chamar nossa atenção. E, no entanto, passamos por elas sem percebê-las.
Aos amigos e leitores do Boteco, todo o carinho e desejos de muito sucesso. Zenaide Negrão.
Mais um ano vivemos e vencemos as boas batalhas. Viajantes impenitentes, insistimos no ficar, não no ir, entre Vila do Sargi e Shangai, Xing Xais e Bar do Xico nas múltiplas feijoadas sabatinas, novos amigos de boa safra, tanta moça bonita por aí, por aqui... Que mais querer, então? Aos respeitáveis e inteligentes, cultos e notáveis leitores do Boteco, aquele muito obrigado de coração, sem vocês nada seríamos. Aos amigos, a amizade pura, a todos a certeza de que 2.010 será muito feliz.
Pedro Da Ros.
Quero agradecer a oportunidade de encontrar pessoas com características, estilos, jeito e forma diferentes, que num boteco virtual nos fizemos próximos, nos fizemos semelhantes...exatamente pelo fator "diferentes", porém juntos em uma mesma leitura, num mesmo esboço, num surpreender ou em uma crítica que vale a pena.. Que a Paz no coração nos impulsione no próximo ano a sermos melhores, que não venhamos a cansar de buscarmos esse ser melhor, aprender e sermos molas que ajudem o próximo, às vezes numa palavra, numa reflexão, em uma boa ação ou num simples olhar de compreensão... Isso é mais que religião num Natal que comemora Vida... Aos nossos queridos leitores e a todos, um Feliz Natal e um 2010 de surpresas maravilhosas!
Christi Xavier.
Não sei bem. De modo algum tenho, como muitos, horror ao mês do Natal e Ano Novo. Nem fico muito mudado, mais feliz, como a maioria das pessoas. Mas talvez pela alegria intensa que existia em casa quando menino, a toalha branca, enfeitada com flores e ramos do jardim, as comidas e presente, a família unida, sempre desejo, aos amigos e pessoas queridas, que alcancem a felicidade que perseguem. Temos que sonhar alto. Aos nossos leitores, aos colegas de mesa do Boteco, dedico meu agradecimento mais fundo, e sei que continuaremos juntos em 2010 escrevendo, lendo e lutando para tornar nosso planetinha um lugar melhor.
Jorge Sader.
O que você fez o ano inteiro? Acredito que mais ou menos o mesmo que eu. Você trabalhou feito louco (a)? Você curtiu a sua família? Gastou seu dinheiro até o último centavo? Brigou com algumas pessoas? Se divertiu como podia e como devia ou meteu os pés pelas mãos? Magoou -se com alguns comentários maldosos no seu blog? Pôxa! Então vamos melhorar, prometo que vou tentar melhorar com você não só porque é Natal... é o tempo todo e desejo aos leitores e amigos do Boteco um Natal cheio de paz, que se embriaguem de alegria, alegria por estarmos cheios de vida para encarar o próximo ano!
Paz no Natal e muitas vitórias no Novo Ano!!! Marisete Zanon.
Quero deixar a todos os leitores do Prosa e Verso de Boteco, em especial àqueles que sempre nos presenteiam com sua visita e palavras de carinho, os meus votos de um Natal e um Ano Novo repletos de saúde, alegria, amor e paz. Aproveito para parabenizar aos nossos leitores e autores pela repercussão obtida ao longo destes 11 meses de existência. Fizemos um belo trabalho. Que em 2010 nos reencontremos para festejar novas conquistas!
Márcia Sanchez Luz.
Quantas vezes vivi tempos de “inferno astral”. Não tendo a quem apelar caí em oração recitando o “Pai nosso” ditado por Jesus Cristo, segundo o Evangelho de Mateus (6, 9-13). Vencida a jornada do dia, concluíra que as coisas enfrentadas não tinham sido tão ruins. Surgiram alternativas interessantes que me deram alento. Meditara então sobre Ele. Quem fora afinal essa figura, cuja passagem física pela Terra é raramente documentada? A data imprecisa do Seu nascimento que teria ocorrido havia quatro anos antes? O que falar do dia? Estarei nessas reflexões, com uma ponta de dúvida sobre a Sua própria existência? Não! Mas, invoco o perdão pelo que pode parecer pouca convicção, até porque Ele nascera entre os judeus e no entanto... Prometi muitas vezes meditar sobre Ele. Quem sabe um dia desses, nesta vida...obtenha alguma deferência reveladora, ainda que não mereça. Porque o cristianismo místico exige renúncias, nada fáceis para mim. Mesmo não sendo o Natal a data correta do seu nascimento, para milhões de seres humanos, há um sentido de renovação da espiritualidade inspirado Nele. De paz. Nesse dia, não importa. Por isso, Feliz Natal a todos.
Milton Martins.
Destas pampas gaúchas e das pampas do mundo saúdo, com abraço largo e coração aberto, aos leitores e companheiros deste Boteco, parada segura de paz na estrada da vida e suas lides. Ergo meu copo pleno de afeto e quero que sejamos felizes, pois que para isso nascemos. Saúde, chê!
Luiz de Miranda.
Entendo que nossas vitórias e derrotas não têm outros atores senão nós mesmos, que conseguimos o que queremos com vontade e garra, determinação e coragem, organização e planejamento, união de esforços e companheirismo; ou seja, com trabalho inteligente e intenso. Agradeço, por isso, este belíssimo resultado que os autores do Boteco conquistaram em menos de um ano, reconhecido por leitores inteligentes, cultos e generosos em vários países. Tenho certeza de que 2010 será muito produtivo, que nossos leitores, amigos e pessoas queridas realizarão seus objetivos, e que nosso trabalho continuará sendo cada vez mais reconhecido e gratificante. A todos, forte abraço, muito obrigado e felizes festas.
Caio Martins.
Que o Natal seja motivo de confraternização, e que 2010 represente o que de melhor possamos realizar, com espírito de luta e justiça, firmeza de caráter e profundo sentimento de fazermos a História, além de dela sermos parte. Ao meu querido povo do Acre, que nunca nos falte coragem e estímulo para nossa luta por paz, desenvolvimento humanizado e condições cada vez melhores de vida. Aos companheiros, amigos e leitores do Boteco, quero deixar meu abraço fraterno e orgulhoso do trabalho que realizamos. Pitter Lucena.
É no que dá: chega fim de ano, todo mundo se entope de comida e bebida em nome de Jesús e fica doido pra o atual acabar e o outro começar, e já começa com ressaca, com IPTU, IPVA, contas, contas, contas... De um jeito ou de outro, 2010 será mais leve, mais maneiro, isso se conseguirmos limpar o país de corruptos e safados e conseguirmos fazer a turma da poluição entender que ou param ou acabam com o planeta... ooops!...foi mal... Mas não há que assustar, tem o Boteco pra aliviar a barra. Pelo que vi no mapa, temos gente lendo até no fim do mundo... A meninada não é fraca, não, e nossos leitores são o que há de melhor no mundo. É ter saúde, que o resto a gente corre atrás. Obrigado, pessoal. Abração pra todo mundo.
Milton Rezende.
Aos leitores e colegas do Prosa e Verso de Boteco, desejo paz, caminhos abertos, prosperidade, harmonia e muitos êxitos pessoais e profissionais.
Cicero Fernandes.
- 16h20
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INTUIÇÃO DESVENDADA Milton Martins*
Nunca escondi que rumei para o esoterismo e o estudo ocultista. Algumas dessas correntes incentivam o neófito a encontrar na sua interioridade o seu templo e sua religião. Há alguns conceitos universais que dão as linhas básicas de conduta. Assumidas essas, à medida que o estudante se esforça, mais ele se encontra e mais ele tende a renunciar a certos valores mundanos. Mas, isso não é fácil. E, ademais, tende a meditar sobre fatos do seu dia-a-dia, aquelas coincidências que parecem planejadas, parecem ter um sentido a ser desvendado.
Os que seguem em frente nessa linha, não é o meu caso porque caminho no chão duro da estrada e da vida, podem se deparar com experiências inesquecíveis, algumas dolorosas mesmo. Na fase jovem tenho algo a relatar, sobre uma das vertentes da intuição revelada. E o pior é que se deu numa época de muito ceticismo, extasiado no verdadeiro “samba do filósofo doido”. Daqueles idos brilhantes retorno, pois, minhas impressões e lembranças a uma professora de filosofia, que em algumas aulas no colégio, promovia um exercício religioso: abria a Bíblia ao acaso e incentivava os alunos participantes a ler um versículo. Em seguida pedia que cada um desse sua interpretação. Dizia, como eu próprio sempre ouvira, que a Bíblia tinha diversos significados, verdades que se intuem segundo o merecimento do adepto, mas em especial a vontade sincera em compreendê-la. Nesses exercícios bíblicos, a comunhão do grupo com o texto objeto da interpretação, poderia inspirar novas revelações. Essa professora, juravam no colégio, pertencia a uma ordem religiosa católica. Quando perguntada, com aquele respeito todo, ela não confirmava e não negava, apenas desconversava. Mas, a forma como se apresentava, sem pintura, cabelos lisos cortados pouco acima dos ombros, olhar brilhante e sereno num rosto redondo, rosado naturalmente, o modo como agia e se trajava, sempre de vestido longo, cinza claro, na altura do tornozelo, indicavam alguma ligação com uma qualquer ordem religiosa. Naqueles exercícios, algumas derivações bíblicas iam eclodindo, transbordando, não decorrentes do exercício intelectual, mas da intuição, da interioridade. Existia naqueles momentos, um (in)explicável sentido de paz. Com meu ceticismo e tudo! Sempre me lembro dela. Onde andará? Ainda vive? *Milton Martins é advogado. (img: matière, de w.studmax).
- 08h01
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MUITOS ANOS ESTA NOITE... Jorge Sader*
Mãos dadas, céu transparente. O andar é calmo, a conversa entremeada de canções hoje antigas... “A Banda”, do Chico. Lembra? Margens do Sena, livros antigos, pessoas interessadas. Tudo ali é mágico. Ou temos a impressão disso. Na verdade, Paris é mesmo uma festa. Ou pelo menos era, não sei agora. Voltar? Claro que vou, dentro de poucos meses.
O tempo passou, esquecemos talvez de fazer as conexões do metrô com facilidade... Esquecemos muita coisa, inclusive o velho hábito de falar baixinho, entendermo-nos de forma sutil, graciosa, onde um pequeno olhar significava um longo e sonoro discurso. O rio seguia seu curso, e era poluído. Hoje está limpo, quem pode isca seu anzol e fica à espera do peixe. Quanta coisa mudada!
Os passeios de mãos dadas escasseiam. Não, o amor não terminou, nossa vida continua e, prestando atenção, a cada dia mais intensa. Os vinhos populares, bebidos de quando em vez. A água mineral Vichy e a Vitel, que sempre acompanhavam os “coupes de rouge” ou o gostoso café expresso. Sentar num café conhecido, ou mesmo numa bela espelunca, mas sempre limpa e cuidada. Tudo novo para nossas vistas, para nossa emoção, para nossa vida...
Os cigarros! Lembro bem que durante uma xícara do expresso, pelo menos dois eram consumidos. Céu translúcido, azul infinito.
E haja sola de sapato! Tenho a impressão que nunca caminhamos tanto em nossa vida. Almoços famintos, sempre com uma entrada de salada de tomate, alface e agrião. Fizemos tantas coisas! Tanto física, como espiritualmente. Não, a concordância está certa. Aqui, a primeira do singular é a mesma do plural.
Nossas mãos continuam entrelaçadas... Muitos anos, esta noite.
*Jorge Sader é escritor. (img: cvm78 - margem do sena)
- 04h33
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NOTHING GOTTA CHANGE THE WORLD Cícero Fernandes*
(img: cold fire, by inga nielsen)
Como mudar o mundo? Só uma coisa pode mudá-lo! Somente o tempo envolvido no espaço pode contrair o próprio tempo numa faixa extensa de espaço. Há! Também o tempo vai mudar o espaço que ocupamos no tempo. É o espaço que a mente busca para em tempo mudar o espaço ocupado. Temos espaços para realizar nos instantes da vida. Ser o tempo e espaço que faz nascer da luta pelo espaço aquele que conformará a vida no tempo. Enquanto o espaço redobra, temos pouco tempo para acupar-nos Do tempo e do espaço. Se o tempo passa é passado Temos que ter espaço Que é maior que o tempo. Entretanto, existimos no espaço. Podemos nos perder no tempo. O tempo é quase nada ouando estamos a gastar. Porém, este se alonga se não há em nós prazer. Voltando ao tempo/espaço vivo melhor nas brechas do meu espaço curvo no tempo longilíneo. *Cícero Fernandes é jornalista.
- 03h33
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