PROSA E VERSO DE BOTECO - UOL Blog




Poemas, causos, crônicas
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    SOBRE O EDITOR

    Caio Martins.

    Produtor gráfico, editor e fotógrafo, participou da resistência à ditadura militar, foi exilado no Uruguay, França, Cuba, Chile e, por quatro anos, correspondente e jornalista em Berlim. É colunista do portal Vote Brasil e presta assessoria editorial. .

    (Todas as imagens e textos têm direitos autorais.)








    Sem memória não há História. Sem História não há identidade. Sem identidade não há liberdade.


    Cecília Meireles.


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    Fernando Pessoa

    PROSA E VERSO DE BOTECO
     


    INTERMEZZO


    O Boteco encerra seus trabalhos agradecendo a todos que nos acompanharam na rota imprevisível da Internet, neste ano e meio. Pedimos aos nossos queridos leitores que, nesse "intermezzo", percorram o blog desde o início, em janeiro de 2009.

    Basta clicar nos meses, na coluna da esquerda e, neles, encontrarão um relicário de textos da melhor qualidade.

    Seguiremos publicando nossos trabalhos no Caio Martins - Poemas e Crônicas 

    Esperamos lá suas visitas, opiniões e comentários, após desfrutarem desta coletânea. 
     

    Forte abraço, muito carinho.

    (img: kiboing)



    - 17h45
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    MUSAS ETERNAS
    Milton Martins*


     
    Pode ter até atriz brasileira que se enquadre na lista das musas do cinema mundial. Mas, nenhuma como as americanas. Lembro-me assim de passagem apenas de Regina Duarte, a ex-namoradinha do Brasil, mas ela ainda anda pela casa dos 60 anos, e outras, como nessa fotografia de 1968: Eva Tudor, Tônia Carrero, Eva Wilma, Leila Diniz, Odete Lara e Norma Bengell, atrizes brasileiras lutando contra o regime militar.
     
    Chegou até mim, se bem me lembro não a primeira vez, um .pps que de modo saudoso lembra aquelas atrizes que frequentaram nossa imaginação no final dos anos 50 e especialmente nos anos 60, musas do cinema americano. Com uma particularidade: dá-se nessa divulgação o contraste da sua melhor forma feminina, lindas, e nestes tempos, quando todas passaram dos 70 anos.



    Julie Christie, lindíssima em "Dr. Jivago" e agora mostrando em seu rosto honesto, o peso dos mais de 70 anos; Úrsula Andress, na sua aparição deslumbrante no filme "007 contra o Satânico Dr. No" que "satanizava", sim, a nossa (masculina) imaginação e agora revelando no espelho as marcas de sua idade também além dos 70; Sophia Loren, ainda muito bonita nessa faixa etária que exibira na juventude os seios perfeitos, redondos, eles sim, verdadeiros "lolobrígidas", e Brigitte Bardot, símbolo sexual de primeira em qualquer lista naqueles idos, hoje muito, muito, afetada pela idade, mas lutadora incansável dos direitos dos animais.
    Esse material tão terno tem como fundo a música "To all the girl we’ve loved before" cantada por Julio Iglesias e Willie Nelson cuja letra tem estes versos:

    "Para todas as garotas que fizeram parte da minha vida,
    Que agora são esposas de outros:
    Estou contente que elas apareceram
    E eu dedico esta canção
    Para todas as garotas que amei antes."

    Essas "musas eternas", adoradas na telona, sequer sabíamos de sua vida privada. O que importava era sua presença brilhante, inspiradora, sensual, sexual. Sim, elas eram esposas e agora são avós ou, quem sabe, bisavós. As fotos comparativas da juventude e velhice me emocionam pelo que foram elas. Não importam os estragos inevitáveis dos anos agora revelados. Naquele estágio de juventude, esse mistério que há na existência feminina e que não nos damos conta, essas musas engravidaram, amamentaram, cuidaram dos filhos...mas, nunca perderam o poder de sedução quando na telona, mesmo já maduras.

    Esses atributos estão presentes na mulher: maternidade, amamentação e sedução. Capazes de explodir na sua relação com o sexo oposto a ponto do rompimento definitivo, nos momentos seguintes, podem esbanjar carinho de um modo ou outro ou envolverem seu companheiro num processo de sedução e desejo irresistíveis. Ah, meus caros, essas mulheres com todos esses atributos ingressam no mercado profissional antes dito masculino, assumem cada vez mais posições de mando exigindo que barbados e marmanjos peçam ordens e aprovações de sua caneta. Segurem as feras...

    *Milton Martins é advogado.

    (img: cvm-musasmm)



    - 01h41
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    FESTA NO BOTECO - CAIO MARTINS
    Márcia Sanchez Luz



    Falar de Caio Martins é fácil e ao mesmo tempo complexo! E este paradoxo só existe por ser ele um homem de enorme riqueza interior e, portanto, repleto de questionamentos e contradições típicos de quem tem a sensibilidade à flor da pele. Ele encanta em diferentes e múltiplas esferas: política (no sentido mais amplo, de visão de mundo e atuação), sociológica, literária, enfim, humanitária. Sua luta por ideais não se restringe ao individual. Sim, porque quem o conhece, sente que ele prioriza o todo, pois que não é capaz de ser feliz se alguém estiver sofrendo. Não há como contê-lo ante injustiças. O altruísmo presente em Caio, nascido aos 26 de junho de 1945, é traço marcante de sua personalidade. É algo gritante, de tão verdadeiro em seu jeito de ser, sentir e viver. O mundo, para ser transformado, precisa de gente assim.

    Vida longa! Que ela lhe seja generosa, repleta de saúde, amor, alegria, paz e luz!
    Beijos de todos os leitores e autores do Boteco.


     
    Mano-véio, favor não esquecer de caprichar na batida de lima-da-pérsia e não esquecer os potes de pipoca e amendoim.  E não diga que o excesso de quilometragem prejudicou.


    Abração. Jorge.


     
    Você se imaginava, depois de tantas experiências de vida, chegar em 2010 dedilhando um computador com a velocidade que ele oferece, para quem aprendeu datilografia em máquina de escrever do "tempo do onça"? Você tem o mérito de ter acompanhado o tempo e as mudanças, a par de aguçar sua veia poética.

    Meus parabéns e meu abraço. Milton Martins.


    Quando soube do aniversário do Caio Martins fiquei confuso sobre o que dizer. Como escrever sobre uma pessoa tão grande, tão justa e tão simples. Ética, para ele é essencial, uma cachaça que nunca acaba. Vive como uma criança na forma de escrever. Tem a compreensão da história como um adolescente e vive, como jornalista, sua fome de viver a vida.  Este Caio, resumindo, é o grande maestro dessa história que apenas começa.

    Grande abraço. Pitter Lucena.




    Cantiga de muito longe para Caio Martins


    Queria te falar do amanhecer
    nestes fundos anos de silêncio
    onde haveria a poesia
    a órbita astral de teus olhos
    de luminosa tristeza
    a palidez aquosa
    dos teus olhos feitos de estrada

    Onde andará a sombra
    da tua ternura
    para me encontrar na vida
    ávida
    e te apertar em vinho
    num brinde ao amanhecer
    e renascer na solidão
    que a distância
    escreve na luz.

    Queria te falar do amanhecer
    nestes fundos anos de silêncio
    mas onde andará tua mão
    de amigo e poema
    a revelar noutro caminho
    o mágico estalar das palavras.

    Forte abraço do Luiz de Miranda.



    Conheço poucas pessoas que mereçam tanto a felicidade como você. Muita paz, amor, saúde e conhecimento, muito conhecimento. Obrigada por acreditar em mim e nos meus textos. O blog não seria nada se não fosse sua força.


    Feliz aniversário Caio. Liih*




    Alambique das Letras


    Boteco bom que se preze,
    Tem cachaça de rolha,
    E cabra bom proseador.
    Tem dono traquejado
    Engenheiro e deputado.
    Há ali quem se embebede
    Caia de quatro e se despreze!
    Assim é!
     
    Mas assim aqui não é!

    Prosa e Verso de Boteco:
    Onde o verbo a lapidar,
    Entregue tosco e sem eco,
    E a palavra doce
    Dos amigos a prosear,
    Deixadas ao Caio,
    Para metamorfose devida,
    Sem nenhuma recaída,
    Em eletrônico alambique,
    Que o mestre bem sabe usar,
    Sai destilada a aqua-prima,
    Que todos bebem sem saciar.
     
    Caio adormece junto a letras,
    Sonha palavras
    Vive Prosas e Versos!
    E assim, eternamente,
    Neste Boteco da Vida,
    Caio do elixir beberá!
    Sempre mais um viverá!
     
    Poéticoetílico abraço do Pedro Da Ros.


     

    Meu Maninho...

     
    Num irmão a gente se vê como nos veem
    os próximos dos próximos.
    Dança em seu rosto a história quase do início
    até o agora.
     
    Os cabelos brancos de hoje
    são os rebeldes de outrora...
    Os meus prendi com grampos,
    os seus colou com "Gumex" (como o Pai, com "Glostora")
     
    O Pai se foi,
    seguido da Mãe.
    Os desgarrados somos nós,
    mas agora, na festa que comemora
    a tua inauguração neste mundo,
    só posso dizer que és o que és, mano velho:
    Figura! Figura!
     
    Maninho mais novo, porém de mais estrada,
    aceita a homenagem de quem muito aprende contigo
    e aprendeu sentigo, na ausência prolongada.
    Ter um mano é ter um porto, tomar vinho e dar risada.

    Beijos da Aracéli.



    Caio, se você não tivesse insistido tanto eu já teria parado de escrever; é por essa e outras tantas que este dia é tão importante e que desejo que ele aconteça por muitos longos e bem vividos anos. Beijos, com todo amor que lhe tenho.

    Zenaide


    CARINHOSO - de Pixinguinha e Braguinha, com Elis Regina.

    QUIETUDE
    Caio Martins

    (img: cvm - farofa03-2001)

    Não darei definições
    já nada explico ou justifico.

    Apenas trarei as mãos
    plenas de silêncio, cansaço
    cicatrizes, calor de luta
    a ternura de um abraço.

    Enfim, amigos, 
    sempre fui
    e seguirei assim mesmo...



    - 03h42
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    PEDRO E O LOBISOMEN
    Pedro Da Ros*


    (img: kiboing).

    Bah! ... de sexta prolongou-se
    o "affaire" até hoje,
    matina....

    Sobrevivi...

    Agora sou acordado
    por britadeira infame
    abrindo vala perto daqui !

    TER-RA-SEM-LEI !!! ...

    Resta andar...

    Ver se ainda há
    Lobisomens por aí...

    *Pedro Da Ros é engenheiro.



    - 19h44
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    UM CABRA SAFADO
    Jorge Sader*


    Veio do nordeste, como tantos, procurar uma vida melhor. Aqui não tem vida melhor. Tem água, de péssima qualidade, com cloro até dizer chega, passando por tubulações que volta e meia sofrem com o vazamento da rede de esgoto.

    No começo, morou no Esqueleto, construção antiga e abandonada. Trabalhava como ajudante de pedreiro e assim permaneceu ano e meio, até que o governador transferiu todos para uma vila, distante. O Esqueleto é hoje a Universidade Estadual do Rio de Janeiro. O governador era Carlos Lacerda, talvez o político mais polêmico do país.

    Não foi morar em Vila Kennedy. Preferiu a Mangueira, sala que servia de quarto, banheiro e cozinha, construção em alvenaria, feita por ele mesmo.

    Não estava satisfeito, mas também queria subir na vida. “Sou branco e estudo”, pensava ele. E daí? O Rio está cheio de brancos, branquíssimos, branquíssimos com diploma e sem subir na vida.

    Já não era mais ajudante. Fez um teste e deixou espantados os que o viram assentando azulejos. Havia treinado muito, num muro velho, onde aplicava massa fraca, pouco cimento e muito barro, para facilitar a retirada depois e iniciar tudo de novo.

    Tinha dois amigos, pedreiros e apreciadores duma cerveja acompanhada de azeitonas e uns martelos de cachaça. Igualmente nordestinos, aos domingos faziam um churrasco de carne-de-sol que perfumava as redondezas.

    Tinha o bom hábito de convidar os vizinhos, um de cada vez. Certa manhã, quando preparava a churrasqueira de metal, ouviu uma voz grave: “ - Ô Luiz, não vai me convidar não?” Virou-se e viu. Era ele, o Coisa Preta, chefe do tráfico local, cujo nome era Dirceu Soares. Cabeça a premio. Tanto a tiragem, nome que os vagabundos dão aos policiais, quanto aos meganhas, idem, que são os soldados da Polícia Militar.

    Convidou de pronto o chefão e logo se tornaram amigos. Em pouco tempo, era homem de confiança, conhecia números bem, estava sendo distinguido no curso que estava por terminar.

    Deixou o antigo emprego, ou melhor, foi aposentado pelo INSS por motivo de ser atingido por uma facada, numa briga que entrou para separar os contendores. Com a morte de Coisa Preta, ocupa hoje o lugar do chefão todo poderoso, continuando a fazer churrascos com os amigos e convidados. Ficou muito rico e com prestígio que nunca imaginou ter.

    Não imagina que seus dias estão contados.

    *Jorge Sader é escritor
    (img: zeferino, do henfil.)



    - 17h18
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    NA SERRA DA MANTIQUEIRA
    Aracéli Martins


     
    "Na serra da Mantiqueira
    Sob a fronde da mangueira
    Que ela em moça viu plantar
    Sentadinha no seu banco
    Trançando o cabelo branco
    Mãe Maria vai sonhar..."

    Essa estrofe lhe vinha  à cabeça, chegando a causar impaciência por não suportar bem certos pensamentos repetitivos, como que a revelar  uma certa   insanidade, falha de quem não é dono do que passa pela própria cabeça. Arrumando a casa, escrevendo ou fazendo a caminhada pelo parque, lá vinha a cantilena, um anacronismo incrustado nos neurônios. A coisa ia ficando difícil; até dirigindo e ouvindo rádio do carro  a canção se sobrepunha, e trazia uma atmosfera melancólica de lembranças infantis: o primeiro rádio da família, os programas preferidos do pai, as novelas da Rádio Nacional que a mãe ouvia sob os protestos dele; o pai ridicularizava os dramas imitando a choradeira das heroínas sofridas de Dias Gomes, e outros.

    Que ataque mórbido de saudosismo essa música provocava, e justamente nela, que era  tão ativa. Agora via-se pequena, frágil, encarando a vida como um tecido de dramas e finitude. Que incômodo; sentia-se quase humilhada por essa cilada neuronal. Qual a explicação? Apesar de sentir-se bem, o envelhecimento estaria cobrando sua cota, arremessando-a ao passado, não dos amores juvenis e da maturidade, mas às lembranças conduzidas por músicas ouvidas na infância.

    Os dias se passavam, e a canção voltava a ser cantarolada pela parte posterior da cabeça, obrigando-a a prestar atenção, como se a ouvisse cantada por sua própria voz. “Não suporto bem esses processos que se dão em nós, nos quais não podemos interferir, essas coisas que independem de nossa vontade”. A frase ridícula foi dita vinte anos antes, na faculdade, ao observar um filme sobre reprodução celular.  Agora ela estava ali. Meio à mercê da canção que se cantava quase que de modo imperativo; quase, pois ainda conseguia desligá-la depois de algum tempo, desviando a atenção para o momento presente. O aqui e agora, essa âncora no mar revolto. E foi ancorando-se no presente que se lembrou da tia de quase 89 anos. Telefonou para ela. Mas outra pessoa atendeu o telefone; o estranhamento, o medo não permitiram que reconhecesse a voz da prima, que lhe disse que tudo estava bem; a tia só estava triste, porque havia morrido a Maria naquele dia frio de junho.

    Maria Trindade morreu aos 104 anos. Ela fazia parte de sua história, da história de seus avós. Há quase 90 anos, com uma leva de retirantes expulsos do Estado de Minas pela seca e pela fome, chegara à cidade que começava a existir no norte de São Paulo. Eram trabalhadores negros e mulatos que vieram em penúria, atravessando a fronteira de Minas. Mas era uma gente que não ia capitular diante da seca, como os imigrantes espanhóis e italianos também não se  entregaram ao mesmo quadro que os expulsara da Europa, e acabaram por criar a pequena cidade.

    E foi uma família italiana que acolheu a família de Maria: a família  de sua velha tia. A sua família. Tornaram-se compadres e comadres ao longo dos anos. E reespalharam-se pelo mundo, desta vez, não tangidos pelo infortúnio, mas pela possibilidade de escolha. Há descendentes de Maria até nos Estados Unidos. Mas a Maria, que veio de algum lugar ao pé  da Serra da Mantiqueira, a Mãe de todos, ficou na cidade à qual chegou como retirante, e lá viveu até ontem, com seus cabelos brancos, alta e bonita, com o sorriso que acolhia o mundo como se fosse um filho.

    Então, ela entendeu a insistência da música.

    *Aracéli Martins é psicoterapeuta.

    (img:"retrato de mulher" - benedito josé tobias -1894-1963.)



    - 00h48
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    O CARRO DE BOI (1)
    Caio Martins


    O Carro de Boi

    Tem carro de boi, e tem carreta. Carreta, ou carroção, tem roda raiada e é muda, não canta. Carro de boi tem roda inteira, e canta para se ouvir de léguas, seja gaita, pombo ou baixão . É coisa de sertanejo, é uma saudade doída de um tempo onde se ia devagar, mas havia mais tempo para ver e entender as coisas. Saber de carro de boi, é mexer com magia, é entender a alma da madeira e do ferro, da terra e do fogo, da água e do ar...

    O carro de boi foi nosso principal meio de transporte no período colonial, no império e até na era republicana. Mas, vamos só falar da coisa em si, do que o Professor Horácio Ramalho reuniu ao longo dos anos, trocando prosa com carapinas, candieiros, carreiros, fazendeiros lá das bandas de Taquaritinga, Jaboticabal, Guariba, Monte Alto, Santa Adélia, e arredores. Juntou a ciência da feitura, "causos", muita coisa boa de se conhecer. [...]

    O Canto do Carro de Boi

    Quem ouviu, ouviu. Quem não ouviu, não ouve mais. Parece que onde chegam as técnicas e tecnologias de fazer tudo mais depressa, como se o mundo fosse acabar ontem, a poesia acaba desmantelada. Porque o carro de boi não canta por boniteza, somente. Canta por precisão. A vida do carro está na cantiga. Carro de boi, de pau, que não canta, não é carro. É tranqueira com rodas, coisa morta, desservida de encantamento. Porque se há muita carga e o carro canta de gaita, a gente mata os bois. Eles ficam destrambelhados, se estouram no esforço. Mas se o carro canta de baixão, vão lá naquele passo deles, na mesmice de boi deles, em paz com Deus e com o mundo. E se é trabalho corriqueiro, normal, então é bom o carro cantar de pombo, nem para cima, nem para baixo. Pois, estes são os três tons de cantar dos carros: pombo, que é médio, macio. Gaita, fino e alto. E baixão, que é grosso e grave.
    [...]

    Veja o texto completo em:

    http://caiovmartins.blogspot.com/p/o-carro-de-boi.html  (2)

    (imagem: Carro de boi - aquarela de Oscar Pereira da Silva)



    (1) "O CARRO DE BOI" foi publicado em 1997 pela Editora Romus Artes Gráficas (edição esgotada), na 8ª Festa de Peão de Boiadeiro de São Caetano do Sul. Escrevi, por sugestão de Luiz Tortorello, em homenagem ao professor Horácio Ramalho, pai do deputado federal Dimas Ramalho. Lamentavelmente, trechos e o total da obra estão plageados pelos descaminhos da Internet sem menção à autoria. Peço desculpas aos autores e leitores pela maneira não habitual da postagem. Todavia, há que deixar meu protesto consignado contra tais atitudes, demonstradoras que a falta de ética atinge todos os setores do país das falcatruas, incluindo a cultura.
    (2) (preparando para segunda publicação).

    Obrigado, forte abraço.




    - 16h41
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